domingo, 23 de outubro de 2016

Tamanduaí: o menor tamanduá do mundo!

Foto:  Viviane Sodré


Clique aqui e ouça um program sobre o menor tamanduá do mundo: o tamanduá, que vive no Brasil!

sábado, 14 de novembro de 2015

Detetives da natureza: os cientistas que estudam os menores animais do Brasil

Animais bem pequenos podem ser encontrados no Brasil. Em nosso país,  há sapos que têm cerca de um centímetro de comprimento, entre outros bichos pequenos. Para descobrir algumas dessas espécies minúsculas, os cientistas dão um duro danado. Haja persistência!

O biólogo Luiz Fernando Ribeiro, que pesquisa sapos minúsculos, já perdeu a conta das vezes que subiu montanhas em busca desses animais. Após horas de caminhada, não achou nenhum.

"Às vezes, o dia está bom para você ir a campo estudar esses bichos, mas não está bom para eles", explica. É que, quando o clima está seco demais, os sapinhos ficam bem escondidos.

Alguns cientistas poucas vezes ficaram frente a frente, na natureza, com os bichos que estudam. É assim com Roberto Siqueira, que estuda o tamanduaí e viu esse animal livre na mata só uma vez em mais de duas décadas de trabalho.

Mas há uma explicação: o bicho tem hábitos noturnos e vive no topo de árvores que têm a altura de um prédio de quatro andares. Então o jeito é estudar os que vivem em cativeiro.
Ou até pesquisar os rastros deixados na natureza. O pesquisador Marcos Tortato estuda pegadas e as fezes do gato-do-mato, que são úteis para se identificar o que ele come. "É um trabalho de investigador."

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha. Com adaptações)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mosquito da dengue: expert em sobrevivência

Foto Aedes aegypti mosquito da dengue Genilton Vieira
Com certeza, você já ouviu falar o que é preciso fazer para evitar a dengue: não deixar água parada em vasos, pneus, garrafas...

Mas você sabe por que isso é necessário? Para tentar evitar que a fêmea do Aedes aegypti (mosquito transmissor da doença) ache um local bom para pôr os ovos.

A fêmea costuma botar seus ovos perto da água. E eles são bem resistentes.

"A casca do ovo do Aedes aegypti tem uma composição química que permite que ele resista a condições desfavoráveis ao seu desenvolvimento por até um ano", conta o entomólogo (estuda insetos) Anthony Érico Guimarães, da Fundação Oswaldo Cruz.

Essa característica nenhum outro ovo de mosquito tem. Então, se a fêmea escolher a dedo um local próximo à água e esse lugar secar, não há problema. Um ano depois, se ali surgir água de novo, os ovos vão eclodir, e as larvas, nascer.
Se levarmos em conta que o Aedes aegypti costuma colocar 200 ovos de uma só vez, imagine só o risco que nós corremos! 

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha de S. Paulo. Com adaptações)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Apaixonados por... aranhas!

Sabia que, em São Paulo, na Cantareira, há duas espécies de aranhas que não têm mais do que um milímetro de comprimento? Pois araneólogos, pesquisadores que estudam aranhas, há algum tempo fizeram essa descoberta! 

Esses profissionais, que lidam com animais que, em geral, costumam pôr medo nas pessoas, podem atuar em diferentes áreas. Uma delas é justamente identificar as diferentes espécies de aranhas que existem no planeta, dando nomes científicos a elas, como fizeram, no caso das aranhas paulistas, profissionais do Instituto Butantan. 

"Há cerca de 40 mil espécies de aranha no mundo, sendo que cinco mil apenas no Brasil", conta Antonio Brescovit, araneólogo do Instituto Butantan. Garantir que cada espécie de aranha esteja identificada com um nome científico é fundamental para a sua preservação. 

Isso porque é muito difícil preservar uma espécie se ela não tem nome. Além disso, há espécies que são muito parecidas umas com as outras. Como cada uma, porém, tem um nome científico, diferente do das demais, evita-se que sejam confundidas. 

O trabalho do araneólogo, porém, não se resume a identificar as espécies de aranhas. Ele também pode determinar as que são perigosas, por terem veneno, e ainda atuar em áreas protegidas, degradadas ou onde serão construídos grandes empreendimentos, como estradas ou hidrelétricas. 

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha de S. Paulo)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ovos diferentes, dúzias de curiosidades

Você está convidado a fazer uma caça aos ovos especial. Que tal dar uma olhadinha nos ninhos de diferentes bichos para descobrir dúzias de curiosidades?

Há ovos verdes, azuis e até pretos. Alguns têm a casca tão resistente que até um adulto poderia sentar em cima deles sem que se quebrassem. Outros ovos são menores do que 1 cm.

Tubarão, ornitorrinco e avestruz são alguns dos bichos que botam ovos. Aliás, o coelho não entra nessa lista, apesar de sua fama por entregar os ovos na Páscoa.

O orelhudo que nos desculpe, mas, entre os mamíferos (animais de sangue quente, que se alimentam de leite materno quando nascem), os cientistas garantem: há poucos que põem ovos - e os coelhos não estão entre eles!

Ovo de parente
Morador da Austrália, da Nova Zelândia e da Tasmânia, o ornitorrinco é um bicho diferente: é um dos poucos mamíferos que põem ovos. Outro mamífero que também se reproduz dessa forma são as équidnas, que encontradas na Austrália e na Nova Guiné e parecem (mas não são) ouriços. "Os ovos do ornitorrinco e da équidna são pequenos, com pouco mais de 1,5 cm, têm casca mole e branca", conta o biólogo Mario de Vivo, do Museu de Zoologia da USP. Mas por que os filhotes desses mamíferos saem de ovos (e não se desenvolvem dentro do corpo da mãe)? Isso ocorre porque o ornitorrinco e a équidna descendem de um ancestral em comum, que botava ovos.

Casca mole, mole
Você sabia que existe ovo de cobra? Pois é, não são todas as cobras que se reproduzem dessa maneira: os filhotes de algumas espécies se desenvolvem dentro das fêmeas. Os ovos que são colocados por esses répteis são brancos como os de galinhas, mas são mais compridos e não são exatamente ovais. E o mais engraçado é que têm casca mole, são flexíveis. Sabe por quê? "Assim, é possível acomodar uma maior quantidade de ovos dentro do corpo das fêmeas", diz o biólogo Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan.

Resistência a toda prova
Sentar em um ovo sem quebrá-lo. Isso é possível? Se o ovo for do avestruz, sim. É o que garante o ornitólogo Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP. "O ovo de avestruz é muito resistente, o suficiente para suportar que um homem adulto sente-se em cima sem quebrar a casca de dois milímetros de espessura." Branco, creme ou bege, ele mede cerca de 20 centímetros e pode pesar pouco mais de dois quilos.

Filhotes de gigante
O avestruz é maior espécie de todas as aves: atinge 2,7 metros de altura e chega a pesar 150 quilos. Mas, no passado, o destaque ficava por conta do ovo da ave-elefante, que hoje em dia está extinta. Ela era originária de Madagascar, na África. E tinha três metros de altura, dois metros de comprimento, pesava meia tonelada (500 quilos!). E seus ovos? Mediam mais de 30 centímetros e pesavam uns 13 quilos. Dá para imaginar?

Ovinhos de beija-flor
Se o ovo de avestruz é o maior colocado pelas aves, os menores são produzidos por uma espécie de beija-flor. "Encontrado em países da América Central e do Caribe, principalmente em Cuba, o beija-flor-de-helena põe ovos com menos de um centímetro, que pesam menos de um grama", conta o ornitólogo Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP. Entre os beija-flores, essa espécie é a menor, com 5 cm de comprimento (só o seu bico e a sua cauda já correspondem à metade do seu corpo!).

Está quente, está frio
Jacaré (foto: Mara Figueira)
Mãe dedicada é a dos jacarés. "Ela toma conta do ninho e avança em que se aproxima", conta o biólogo Giuseppe Puorto. Para acomodar seus ovos, que são da cor branca, ela cava um buraco no chão e os põe em meio a um monte de folhas. Com o passar do tempo, essas folhas começam a fermentar, provocando um aumento da temperatura do ninho. É a temperatura (que varia conforme onde está o ovo) que define o sexo dos filhotes (os ovos "mais quentes" serão machos).

A vez da cor
Nem todo ovo tem cor branca. É o que mostram algumas aves domésticas. "Os ovos da marreca-de-pompom, por exemplo, têm a casca azulada ou esverdeada", conta Maria Virgínia da Silva, da Associação Brasileira de Criadores de Aves de Raça Pura. Já a marreca-cayuga põe ovos cinzas bem escuros, quase pretos. E a a perua coloca ovos beges com pintinhas quase brancas.

Ninho de espuma
A maioria das espécies de rãs, sapos e pererecas também põem ovos. Eles são transparentes e costumam ser bem macios. Há espécies que os colocam de tal maneira que formam um fio bem longo, composto por vários ovos. Outras fazem um ninho de espuma para acomodar os ovos. Como? Elas usam o muco que recobre o próprio corpo.

Bolsas de sereias
É assim que são chamados os ovos de tubarão e raias em alguns países. "É que eles aparecem jogados na linha da maré após a eclosão e lembram uma bolsinha ou carteira", conta a bióloga Maria Cristina Oddone, da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República. É comum encontrá-los, vazios, nas praias das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Esses ovos são diferentes de qualquer outro. São geralmente marrons, amarelos ou até dourados. Seu tamanho varia de aproximadamente 2 cm a 30 cm. Costumam ser retangulares, achatados e com quatro "chifres" bem compridos nos seus vértices. Mas, entre os tubarões, há uma família (a Heterodontidae) que põe ovos em forma de parafuso.

Bola de pingue-pongue
O ovo do jabuti é bem arredondado: parece uma bola, um pouco maior do que a usada para jogar pingue-pongue. A fêmea pode botar até 20 ovos, que são enterrados em algum local que ela considere seguro e apropriado. O lugar escolhido precisa ainda ser fácil de cavar e receber muita luz solar para que a temperatura chegue a 27 C. Com o lugar escolhido e os ovos postos, a ordem, então, é esperar, pois os filhotes só nascem depois de seis meses.

Gigantes com ovinhos
Ovos, cascas de ovos e ninhos fossilizados de dinossauros já foram encontrados em diversas partes do mundo. Onde? China, Mongólia, França, Índia, Espanha, Argentina e também no Brasil. A partir dessas descobertas, os cientistas perceberam que alguns dinossauros eram gigantescos, mas não colocavam ovos tão grandes assim. "Os dinossauros saurópodes - animais herbívoros, quadrúpedes, dotados de pescoço e cauda longos - podiam atingir até 20 metros de comprimento e botavam ovos, geralmente, com diâmetros que variavam de 15 cm a 18 cm", conta a paleontóloga Claudia Magalhães-Ribeiro, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Para a panela!

Além da galinha, outros bichos põem ovos que podemos comer. Quer exemplos? Patas, marrecas, peruas, emas, avestruzes, pombas, faisoas e pavoas. Mas, se a galinha pode botar ovos quase todos os dias, há aves com períodos certos para a reprodução. As pavoas, por exemplo, botam um ovo a cada dois dias, mas só de setembro a dezembro.

(Texto: Mara Oliveira, originalmente publicado no suplemento Folhinha, do jornal Folha de São Paulo. Com adaptações).