sábado, 14 de novembro de 2015

Detetives da natureza: os cientistas que estudam os menores animais do Brasil

Animais bem pequenos podem ser encontrados no Brasil. Em nosso país,  há sapos que têm cerca de um centímetro de comprimento, entre outros bichos pequenos. Para descobrir algumas dessas espécies minúsculas, os cientistas dão um duro danado. Haja persistência!

O biólogo Luiz Fernando Ribeiro, que pesquisa sapos minúsculos, já perdeu a conta das vezes que subiu montanhas em busca desses animais. Após horas de caminhada, não achou nenhum.

"Às vezes, o dia está bom para você ir a campo estudar esses bichos, mas não está bom para eles", explica. É que, quando o clima está seco demais, os sapinhos ficam bem escondidos.

Alguns cientistas poucas vezes ficaram frente a frente, na natureza, com os bichos que estudam. É assim com Roberto Siqueira, que estuda o tamanduaí e viu esse animal livre na mata só uma vez em mais de duas décadas de trabalho.

Mas há uma explicação: o bicho tem hábitos noturnos e vive no topo de árvores que têm a altura de um prédio de quatro andares. Então o jeito é estudar os que vivem em cativeiro.
Ou até pesquisar os rastros deixados na natureza. O pesquisador Marcos Tortato estuda pegadas e as fezes do gato-do-mato, que são úteis para se identificar o que ele come. "É um trabalho de investigador."

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha. Com adaptações)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mosquito da dengue: expert em sobrevivência

Foto Aedes aegypti mosquito da dengue Genilton Vieira
Com certeza, você já ouviu falar o que é preciso fazer para evitar a dengue: não deixar água parada em vasos, pneus, garrafas...

Mas você sabe por que isso é necessário? Para tentar evitar que a fêmea do Aedes aegypti (mosquito transmissor da doença) ache um local bom para pôr os ovos.

A fêmea costuma botar seus ovos perto da água. E eles são bem resistentes.

"A casca do ovo do Aedes aegypti tem uma composição química que permite que ele resista a condições desfavoráveis ao seu desenvolvimento por até um ano", conta o entomólogo (estuda insetos) Anthony Érico Guimarães, da Fundação Oswaldo Cruz.

Essa característica nenhum outro ovo de mosquito tem. Então, se a fêmea escolher a dedo um local próximo à água e esse lugar secar, não há problema. Um ano depois, se ali surgir água de novo, os ovos vão eclodir, e as larvas, nascer.
Se levarmos em conta que o Aedes aegypti costuma colocar 200 ovos de uma só vez, imagine só o risco que nós corremos! 

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha de S. Paulo. Com adaptações)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Apaixonados por... aranhas!

Sabia que, em São Paulo, na Cantareira, há duas espécies de aranhas que não têm mais do que um milímetro de comprimento? Pois araneólogos, pesquisadores que estudam aranhas, há algum tempo fizeram essa descoberta! 

Esses profissionais, que lidam com animais que, em geral, costumam pôr medo nas pessoas, podem atuar em diferentes áreas. Uma delas é justamente identificar as diferentes espécies de aranhas que existem no planeta, dando nomes científicos a elas, como fizeram, no caso das aranhas paulistas, profissionais do Instituto Butantan. 

"Há cerca de 40 mil espécies de aranha no mundo, sendo que cinco mil apenas no Brasil", conta Antonio Brescovit, araneólogo do Instituto Butantan. Garantir que cada espécie de aranha esteja identificada com um nome científico é fundamental para a sua preservação. 

Isso porque é muito difícil preservar uma espécie se ela não tem nome. Além disso, há espécies que são muito parecidas umas com as outras. Como cada uma, porém, tem um nome científico, diferente do das demais, evita-se que sejam confundidas. 

O trabalho do araneólogo, porém, não se resume a identificar as espécies de aranhas. Ele também pode determinar as que são perigosas, por terem veneno, e ainda atuar em áreas protegidas, degradadas ou onde serão construídos grandes empreendimentos, como estradas ou hidrelétricas. 

(Mara Oliveira, colaboração para a Folha de S. Paulo)